29.03.2026

A economia da atenção e as apostas esportivas: o que os esports entendem e os esportes tradicionais deixam passar

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Liz Rosenblum

Sr. Content Strategist

A atenção humana é limitada. Mas a disputa por ela? Essa parece não ter fim, e continua aumentando.

 

Para operadores de apostas esportivas, a luta pelo negócio dos apostadores é real. E a fidelidade do cliente é um ativo cada vez mais raro.

 

Mas é justamente por isso que as apostas em esports já não são apenas um recurso de nicho. Elas são uma solução concreta para um problema que está reduzindo a rentabilidade das casas de apostas em toda a indústria. Para entender o porquê, é preciso fazer duas perguntas-chave:

 

  • De onde vem, de fato, o handle?

  • Onde o handle está mais em risco?

 

O problema de uma estratégia de sportsbook baseada apenas em esportes tradicionais

Uma casa de apostas dependente de eventos sobe e desce conforme o calendário esportivo. Quando não há grandes jogos, o engajamento e a receita caem. Isso dificulta manter um crescimento consistente e coloca os operadores sob o risco de perder clientes durante períodos mais fracos.

 

Mas é também assim que muitos operadores de apostas esportivas ainda constroem suas estratégias hoje. Eles se concentram em um calendário de transmissões esportivas que funcionava anos atrás, mas que já não entrega a rentabilidade de que precisam hoje.

 

Nos Estados Unidos, em 2024, o período de setembro a dezembro registrou o maior handle do ano. Com a chegada do verão — junho, julho e agosto —, mesmo com o mercado geral crescendo 23%, cada um desses meses apresentou uma queda de 40% em relação ao pico da temporada da NFL.

 

Os números na Europa foram semelhantes. Quando as principais ligas de futebol entram em pausa, o principal ponto de atração da atenção desaparece, e ofertas turbinadas não conseguem compensar totalmente essa diferença.

 

O problema sazonal não é novo. O que mudou foi quem está percebendo isso com mais intensidade e como está reagindo. Apostadores de 18 a 34 anos não simplesmente param de apostar em junho. Eles migram para outras plataformas, outras formas de entretenimento e outras maneiras de gastar seu tempo e dinheiro. Operadores que não dão aos clientes um motivo para permanecer vão perdê-los.

 

A resposta usual — oferecer jogos de cassino, esportes secundários ou mercados aprimorados em divisões inferiores de futebol — é um compromisso comum. Essas opções atendem a públicos diferentes, têm perfis de margem distintos e muitas vezes envolvem considerações regulatórias também diferentes. Direcionar um apostador de futebol para slots durante a baixa temporada pode até redirecioná-lo, mas não oferece uma opção alinhada ao seu perfil de aposta.

 

Por que os esports sustentam a economia da atenção

Os calendários de CS2, League of Legends, Dota 2 e VALORANT acontecem o ano inteiro, em diferentes fusos horários globais, oferecendo eventos ao vivo e mercados de apostas sem interrupção. Isso não é apenas um detalhe de programação. Mostra que os apostadores de esports não querem que seu entretenimento fique restrito às janelas de transmissão. Eles querem entretenimento disponível a qualquer hora, em qualquer dia.

 

Os esports atendem a essa demanda com grandes torneios no verão e ligas regionais preenchendo os espaços ao longo do restante do ano.

 

A oportunidade de apostas ao vivo em esports também é fundamentalmente diferente da existente nas apostas em esportes tradicionais. Uma partida de futebol de 90 minutos tem um ritmo definido: dois tempos, pausas naturais e trechos em que pouca coisa muda. Títulos de esports, especialmente shooters táticos como CS2, criam momentos apostáveis com frequência. Entre eles estão rounds individuais, estados de economia, vantagens de mapa, first blood, situações de clutch e placares de mapa no intervalo. Cada um é um evento separado, com suas próprias odds, seu próprio contexto e um apostador acompanhando atentamente o que pode acontecer em seguida.

 

Isso significa mais tempo dentro do app, mais engajamento ativo por sessão e mais handle ao vivo para cada hora de conteúdo transmitido. Não porque a audiência esteja apostando de forma mais imprudente, mas porque o produto oferece mais opções sobre as quais apostar.

 

Quem são os apostadores de esports e o que eles querem?

O fã médio de esportes tradicionais tem cerca de 50 anos; o fã médio de esports tem 26. No mundo todo, 32% dos espectadores de esports têm entre 16 e 24 anos, e outros 30% têm entre 25 e 34. Esses são os apostadores que todo operador quer alcançar: usam dispositivos móveis, preferem apostas ao vivo e estão acostumados a apostar enquanto assistem em uma segunda tela. O interesse por esports entre jovens de 18 a 29 anos cresceu de 27% em 2021 para 31% em 2024, e a diferença entre esse grupo e a população geral está ficando maior.

 

Esse grupo não precisa aprender como os esports funcionam. Eles já acompanham a forma das equipes, monitoram o desempenho dos jogadores e entendem o meta. Têm opiniões e jogadores favoritos, e é isso que cria apostadores ao vivo engajados e recorrentes. Mas, quando procuram opções de esports em uma casa de apostas mainstream, muitas vezes encontram uma lista limitada de mercados, atualizações lentas de odds e pouca cobertura dos torneios que realmente importam para eles. Isso não é um produto real de esports. É apenas um espaço preenchido de forma simbólica.

 

Um operador que não tem uma cobertura real de esports não é neutro para esse público. É um produto que não se alinha à maneira como essas pessoas realmente passam seu tempo, e deixa claro que os esports ainda são tratados como algo secundário.

 

 

Como as oportunidades de apostas ao vivo impulsionam a retenção de apostadores

As apostas ao vivo hoje representam entre 70% e 85% de todas as apostas online em futebol.

 

Essa não é uma tendência nova; é onde o dinheiro tem estado, porque é onde está a emoção.

 

As apostas ao vivo exigem atenção de uma forma que as apostas pré-jogo não exigem. Um apostador pode fazer uma aposta antes da partida e fechar o app, mas a aposta ao vivo exige que ele continue assistindo, acompanhe o momento, leia o jogo e entenda por que os próximos cinco minutos importam. Quando a atenção cai, as apostas também caem. Quando a lista de eventos está vazia, o volume de apostas ao vivo também diminui.

 

Operadores que construíram seu modelo de receita em torno das apostas ao vivo dependem de um engajamento constante que uma agenda sazonal de eventos nem sempre consegue oferecer. Os esports resolvem os dois problemas diretamente. O calendário está sempre ativo, as opções ao vivo são mais amplas, e a audiência já está engajada e acostumada a apostar dessa forma.

 

O mercado de apostas esportivas na economia da atenção

O mercado global de apostas em esports foi avaliado em US$ 12,67 bilhões em 2024 e deve ultrapassar US$ 20 bilhões até 2027. Apenas na Europa, a projeção é de que o mercado cresça a um CAGR de 11,39% até 2032. (Europe Sports Betting Market Size | Industry Report, 2030, 2024) Essas previsões não são apenas apostas otimistas; elas refletem uma mudança de audiência que já está em andamento. Em mercados emergentes como América Latina e Sudeste Asiático, onde os apostadores são mais jovens e o uso de dispositivos móveis é alto, os esports não estão apenas se tornando mainstream — eles já são.

A Copa do Mundo de 2026 será o maior evento de apostas esportivas de todos os tempos, e os operadores têm razão em se preparar para ela. Mas é igualmente importante perguntar como será a casa de apostas nos meses antes e depois do evento, e se o produto construído para esse pico conseguirá sustentar o engajamento durante todo o ano.

Operadores que enxergam seu portfólio esportivo como uma estratégia de atenção — focando no que está ao vivo, para qual audiência e em que época do ano — estão construindo casas de apostas que crescem de forma consistente o ano inteiro. Aqueles que tratam isso apenas como uma lista de eventos acabam com produtos que sobem e descem conforme o calendário de transmissões.

Durante os meses mais silenciosos, fica fácil perceber quais operadores se adaptaram — e quais não. Qual deles é você?

Pronto para adaptar sua estratégia e aumentar seu handle? A Oddin.gg pode ajudar.

 

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